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FIFTY SHADES OF VANESSA PAQUETE

FIFTY SHADES OF VANESSA PAQUETE

USEI BIKINI PELA 1ª VEZ E GOSTEI, COM TODAS AS BANHAS E IMPERFEIÇÕES QUE JAMAIS EU MOSTRARIA NUMA PRAIA DE LEÇA DA PALMEIRA

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Quando dei este texto para ler ao Gustavo ele foi muito incisivo e disse que eu estava - novamente - a cinjir-me unicamente a uma faixa muito especifíca de Leça da Palmeira/ a um naipe de pessoas unicamente e que - inclusive - se me cinjia pelos dîtames de moda do Tiago Madalena e os seus preconceitos, tampouco sabia se aquilo era verdadeiramente a " filosofia de vida do rapaz " ! O Gustavo defendeu o Tiago: acendam uma vela que está um santo para cair do altar! Não sei que percentagem de Leceiros este texto atinge, mas foi assim que eu me senti toda a vida em Leça: diminuida, sacrificada e humilhada! Peço desculpa aqueles que não compartilham desta filosofia do culto da estética, do corpo, das amizades materialistas e que se sintam ofendidos! Eu - pessoalmente - foi isto que vi em Leça da Palmeira en quanto vivi lá! Talvez - um dia - me provem o contrário.

 

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No ano de 2014, eu fiz uma resolução de Ano Novo que confundiu algumas pessoas.

 

Quando digo confundir, eu quero dizer que as conversas sobre a tal resolução geralmente eram assim:

 

Eu: “No próximo verão, vou usar um biquíni.”

 

Eles: “Que ótima meta! O que é que vais fazer? Dieta? Caminhadas; inscreveste-te em algum ginásio? Vais reduzir nos doces; cortar gorduras? Aumentar no Sushi? Tornares-te vegetariana?

 

Eu: “Eu disse que vou usar um biquíni. Não disse que iria perder peso.”

 

Ninguém com quem eu tive a conversa acima teve a audácia de me dizer diretamente que eu não deveria usar um biquíni porque as minhas gordurinhas iriam ofender os seus olhos. Nenhuma pessoa iria admitir que não desejava que eu usasse um biquíni por causa das suas preferências estéticas – uma preferência que é moldada pelas nossas perceções culturais do que é e não é bonito.

 

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Tendo crescido em Leça da Palmeira, lugar muito estereotipado, onde parece que todos os indivíduos nasceram perfeitos e – salvo raras exceções – os que não nasceram perfeitos a nível estético, possuem dotes monetários suficientemente atraentes para nos fazer esquecer a sua feiura ou obesidade estética, era-me impossível usar um bikini na minha própria terra.

 

Na realidade, quase que seria um ultraje para os corpos adelgaçados e perfeitos das moçoilas de lá. Já para não falar nos rapazes/homens que fariam de mim o seu alvo preferido de bullying estético. Não, não estou a ser dramática ou extremista! Leça é um lugar ESTRANHO, no mínimo; cheio, ou de pessoas endinheiradas ou de indivíduos tão sublimares que atraem quem possui dinheiro para si.

 

Ora eu não possuindo dinheiro nem beleza vi-me GREGA a ser LECEIRA.

 

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Talvez me tivesse saído melhor enquanto GREGA, na realidade! Com um ar nórdico, tez clara, olhos multicolores (talvez a minha única grande atratividade em mim) e roliça, ser LECEIRA, foi descer ao inferno e cruzar-me com Lucifer: luxúria & hedonismo, assim são os Leceiros, como tal, o molde não se encaixou em mim! ( salvo exceções à regra - não estou a generalizar a comunidade, subentenda-se)

 

Os Leceiros são LATINOS, eu sou ARIANA (e não é de signo)! Parece que já nasceram todos lindos, bronzeados e com olhos flamejantes esverdeados. Realmente, sendo eu LECEIRA de gema é um enigma a ser decifrável!

 

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Ser LECEIRA é estar sob o escrutínio alheio, sob o estigma da beleza e da gordura. Os Leceiros criticam a estética de uma pessoa, a gordura, a feitura, contabilizam os dotes financeiros, quantas vezes se vai ao hipódromo, quantas vezes se joga ténis, se possuímos o carro X ou Y da última gama, se somos diretores financeiros, comerciais ou pedreiros de uma empresa. Enfim, para ser-se LECEIRO, é necessário tirar-se um curso de HIGH SOCIETY e juntem-lhe ainda um mestrado, não vá o diabo tecê-las! Como tal, jamais me atrevi a ir a uma praia a LEÇA porque LEÇA arruinou-me a autoestima por completo, portanto, estive afastada da praia exatamente 20 anos. Sim, é verdade, 20 anos afastada da praia e sem nunca ter envergado um bikini na vida!

 

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Tendo-me mudado para o Sul do país e longe dos olhares maldizentes de LEÇA, atrevi-me a glorificar a minha obesidade. Tomei como resolução que eu iria ficar tão bem no meu bikini que faria todos os sulistas questionarem as suas perceções de beleza e tamanho corporal, todavia, para meu grande espanto os sulistas não criticam, não classificam, não estereotipam, ao contrário dos LECEIROS, o que fez com que eu usasse o meu bikini ainda com mais afinco e incentivo. Foi um elogio e tanto. Em LEÇA ter-me-ia sentido diminuída e marginalizada, aqui senti-me tal e qual HELENA DE TRÓIA, reverenciando homens a seus pés. Aqui não existe o complexo cultural de corpos gordos e a epidemia da obesidade ou o desconforto de estar perante pessoas obesas!

 

A razão pela qual em LEÇA as pessoas não querem ver um corpo gordo num biquíni é porque tradicionalmente, essa peça de roupa é algo que uma mulher ganha ao provar ser atraente o suficiente para existir. Se as mulheres gordas começarem a usá-los sem vergonha ou medo, o que virá a seguir? Porventura, o Armagedão!

 

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Nas suas cabeças devem pairar mil questões: Será que elas têm autoestima? Será que elas vão exigir respeito? Então, o que vai mantê-las no seu devido lugar? Como é que as pessoas convencionalmente atraentes vão julgá-las? E por ai adiante, subentenda-se!

 

Confesso que apenas fiz a experiência no Sul do país (Cascais, Lisboa, Estoril, Guincho, Setúbal, Arrábida, Sesimbra, Porto Covo e Montemor O Novo), todavia, fui tão bem aceite em contraste com tudo aquilo que sempre vivenciei em LEÇA, que fiquei deveras a acreditar que Leça não era a terra mais bonita de Portugal, mas sim a mais discriminadora! E eu que achava que Cascais era a terra das “tias”! Talvez seja! Talvez a minha visão de LEÇA seja má, todavia, nunca conseguimos emanciparmo-nos das más recordações que vivenciamos num local!

 

Quem sabe, se hoje, eu fizesse a experiência em LEÇA, usar um bikini não fosse um ultraje tão grande para a população em meu redor e uma vergonha para mim. Veremos como será o Verão de 2015 ou se existirá um sequer  Enquanto uns passam férias sabe lá Deus aonde (Itália também estava no meu cardápio), outros encontram-se na esquina da rua a pensar o que irão fazer da sua vida; se existirá sequer um Verão para viver...

 

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