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FIFTY SHADES OF VANESSA PAQUETE

FIFTY SHADES OF VANESSA PAQUETE

YOUR FIRST KISS WITH CAROLINE

 

 

 
{#emotions_dlg.blushed} Quando te vi Beijar a Carolina, pela primeira vez, pensei para comigo que deveria existir uma lei que proibísse tal sofrimento de ser infligido na minha pessoa, e, consequentemente, um policiamento qualquer que interditasse tal ato em público, só para que os meus olhos não vos pudessem ver. Coisas de uma mente angustiada de uma ragazza de 17 anos. Curiosamente, anos mais tarde, Laura Pausini, viria a compor um tema que transpunha para o ecrã a ideia que me atravessara a mente em 1997; sinistro não ? O Vídeo-Clip passa-se em 2039 ! Creepy...
 

 

A prudência e o bom senso dir-me-iam que revelar-te segredos da minha vida, é um ato inconveniente e malogrado, visto que, poderá trazer a superfície facetas do meu passado que não poderei ignorar ou ocultar de ninguém, além de que, trago constantemente, em absoluta premência de invoca-lo, o teu nome para cima da mesa.

 

Tal ato tão ilícito (visto que não nos podemos apropriar do nome ou vida de outrem), poderá fazer-me incorrer em prejuízo a mim própria, e, consequentemente, no desenrolar do meu futuro. Estar exposta, assim a nu, é uma ação irremovível , ambos sabemos disso!

 

Não obstante tudo isso, pretendo fazê-lo, e incorrer na infâmia, de me colocar ao descoberto ante os olhares alheios e atentos de quem me lê, por isso, hoje, vou falar-te de um episódio da tua vida que nos remete para algo que, há 17 anos atrás, me dilacerou o coração por completo: o teu primeiro beijo!

 

Não o teu primeiro beijo, propiamente dado, subentenda-se isso, mas sim, o teu primeiro beijo dado diante dos meus olhos. Se calhar sou doida, por trazer algo tão insignificante à baila, quiçá? Mas, passados tantos anos, ainda sofro dessa visão que deformou o meu mundo, o alterou em absoluto, colocando-me, irremediavelmente, em confronto com a pungente realidade de que amar-te seria, definitivamente, um sonho impossível de ser concretizado.

 

Se fechar os meus olhos, ainda consigo ver-te, a chegar à sua beira; o teu andar célere, sedento do encontro do corpo a corpo, o teu olhar aturdido em busca dos seus olhos na multidão, pejado de ânsia e desejo agreste de encontra-la e segurar o seu rosto nas tuas mãos.

 

O seu nome era Carolina.

 

Vi-a- pela primeira vez – por acaso, numa ida ao refeitório. Desconhecia, ainda, o teor da vossa relação, porém, o fato de aquela aluna me lançar um olhar conspícuo, e não me fitar imbecilmente, como as restantes das tuas pretendentes, fez-me pousar o tabuleiro, olhá-la fixamente e deter toda a minha atenção no seu semblante, nos seus gestos, nos seus manejos e na sua maneira culta e apropriada de articular as palavras; Dir-se-ia que fiquei enamorada da Carolina, sem tão pouco saber, que enamorado daquela rapariga de porte altivo, já estavas tu!

 

A sua silhueta era adelgaçada, extremamente magra até, tinha os cabelos compridos, ondulando suavemente, em cachos castanhos, tingidos de algumas nuances acobreadas, de uma perfeição singular, que lhe chegavam até ao centro das costas. Os seus olhos, de um castanho bronze escuro, denunciavam um caracter forte. A sua pele era marmórea, pálida, mas adornada com uma doce pincelada de blush que ruborizava as maças do seu rosto. Na boca, pendia-lhe um cigarro, sinal de maturidade precoce e alguns laivos de status quo  e autoconfiança iminente.

 

Observei-a, completamente hipnotizada, por todo aquele cenário de perfeição. Os meus olhos incidiram-se, idem aspas, sobre as suas colegas que, de igual modo, aparentavam um porte singular e altivo, onde não haveria margem para fraquezas mundanas e choros compulsivos em prol de corações despedaçados. Ao passarem por mim, relanceei o olhar de lado na direção daquela rapariga, cujo fato preto, conjugado com uma camisa de seda azul egípcio e saltos altos, mais nos fazia crer que acabara de sair de uma reunião de negócios e, jamais, que se encontrava a postos de ingressar numa aula de Biologia do Ensino Secundário.

 

O fato preto, em stretch, conferia a sua silhueta uma elegância incomparável. Desviei o olhar, pejada de vergonha, consciente da minha insignificância perante tamanho molde de perfeição. A Bruna, apercebendo-se do meu manifesto estado de choque interveio:

 

 - Chama-se Carolina, a rapariga extremamente bem-parecida, de ar pomposo e ar aristocrático. A do meio, chama-se Mariana, e partilha do mesmo aspeto de pompa e circunstância que a sua amiga. Não é reconhecida, sobejamente, pela sua beleza, mas mais pelo dinheiro do seu pai e a avultada indumentária que enverga. A que segue uns passos mais atrás, discretamente, é a Diana, e a sua aparência, como vês, não se assemelha em nada as demais. Partilham a mesma turma e, embora constituam perfeitos opostos, são amicíssimas.

 

Esclarecida pela Bruna, desviei o meu olhar daquele trio tão singular. Todas elas desviaram o seu olhar do meu, idem aspas. Afastei-me com passos rápidos, por entre os restantes alunos, sem tão pouco despejar o tabuleiro ou o retirar da mesa. A Bruna seguiu-me, intrigada, e predisposta a condenar-me a mais um dos seus inquisitivos interrogatórios.

 

- Conhece-las ? Inquiriu ela, em jeito de voz segredada.

 

- Não, na realidade, não as conheço, mas – acrescentei – são o retrato da popularidade em pessoa, são tão bem-parecidas! Aposto que o Tiago apaixonar-se-ia por uma rapariga deste molde: traços do rosto fisionomicamente angulares e semblante corporal a roçar numa magreza latente.

 

Imbuída nestes meus pensamentos, não sabia eu, que o teu coração já chegara primeiro a tal inevitável conclusão.

 

Não voltei a cruzar os meus passos com os da Carolina, num espaço de dias, todavia, de vez em quando, dava por mim, a pensar naquela rapariga, cuja imagem, não conseguia extrair da minha cabeça. Olhando para trás, como tudo me parece ridículo e irónico, Tiago, eu antevira, tal como antevira a morte do teu pai, o teu enamoramento por aquela aluna do agrupamento Científico Natural.

 

Numa tarde de Inverno chuvosa, a entrada da sala de aula de informática, abordaram-me, entregando-me, em silêncio, um pedaço de papel dobrado até ao mais ínfimo detalhe. Apreensiva, e, sem conseguir conter a minha curiosidade, li-o atentamente, variadíssimas vezes, para que o sobressalto de tamanha notícia se me entranhasse bem no consciente.

 

“ Vanessa, não queria intrometer-me na tua vida, mas, deduzo, que se alguém não te avisar o choque te possa ser insuportável, como tal, dei-me ao atrevimento de o fazer. Nota que apenas quero o teu bem, e, jamais, fomentar mexericos de qualquer ordem. Queria avisar-te de algo que te pode vir a trazer um langor triste, mas, é preferível seres avisada, de antemão, a seres confrontada, sem pré-aviso, com o inevitável acontecimento. Queria dizer-te que o Tiago namora, Vanessa. Não um daqueles namoros fortuitos que lhe irão durar meia hora ou um dia e, depois, caírem no esquecimento, como o último que antecedeu este. Para te ser mais concreta e explícita, em boa verdade, talvez seja melhor confidenciar-te que – na realidade – o coração do Tiago, desta feita, sucumbiu; ele está apaixonado, Vanessa, e é correspondido! Trata-se de uma aluna do agrupamento Científico-natural e, doravante, vê-lo-ás muito passearem-se por entre os corredores da escola. “

 

Já dentro da sala de aula, inclinei-me para a frente, sobre a mesa, pousando a minha cabeça entre as mãos, a fim de esconder, as lágrimas que já jorravam dos meus olhos. Agarrei-me a borda da mesa, esforçando-me por ignorar o que acabara de ler, e, tentando reprimir as gotas de água que caíam, agora, impiedosamente, sobre o caderno de Inglês. Deixei de contemplar o bilhete, receando que se o lesse, uma vez mais, esse fato contribuísse para a minha perda total de autocontrolo.

 

Seguiu-se a aula de Filosofia e a minha inquietude arrastou-se durante todo o dia. Receava, agora, sair porta fora do Bloco, e deparar-me com o inevitável fenômeno. Estava irritadiça, lamurienta e pesarosa. A chuva não cessava de cair, abarcando ainda mais, a minha alma numa densa melancolia. O vento fustigava as janelas, cruelmente; fustigava-as com saraiva e gotículas de chuva gélidas, que pareciam arrastar ainda mais as lágrimas do meu sofrimento.

 

Findas as aulas, atrevi-me a alagar-me no meio da intempérie. Vestia uma camisola de gola alta azul-turquesa e umas calças de fazenda pretas. Esquecera-me do casaco em casa, alheada, por completo, da tempestade que se fazia sentir na rua. Coloquei-me a mercê da chuva e, rapidamente, toda a minha roupa se encontrava colada ao corpo e o cabelo a gotejar, impiedosamente. Abriguei-me numa ala perto do Bloco A, consciente, de que tentar desafiar aquela tempestade, era-me absolutamente inglório.

 

O frio congelava-me os ossos; tremia sem parar… Para distrair o meu estado de aflição tentei concentrar o meu subconsciente em atos mundanos dos restantes alunos, contemplar algumas trivialidades e, abstrair-me, assim, do sofrimento físico que o meu corpo padecia após me expor, estupidamente, a face da chuva e do vento inclementes, e, foi nesse preciso momento, que tão pouco consegui verbalizar durante anos, que vos vi pela primeira vez.

 

Queria desviar o olhar mas não conseguia. Fulminei-vos com o meu olhar verde topázio. Queria desviar o olhos, sair dali numa fuga célere e sem olhar para trás, mas, continuei detida naquele instante, presa a vocês, num misto de cólera e ira; a minha angústia era tão evidente, Tiago. Nunca te vira acompanhado de rapariga alguma que me suscitasse interesse ou preocupação, compreendes? Tão pouco, algum dia da minha vida, vira os teus lábios selarem-se a outros lábios. Com toda a certeza o fizeras milhares de vezes, todavia, nunca diante da minha pessoa, ou no recinto escolar.   Desde que colara os meus olhos em ti, aos onze anos de idade, que aguardava o meu beijo prometido, mas não sabia como fazê-lo. Ansiava estender, involuntariamente, a minha mão na direção da tua e agraciar-te com o meu toque, porém, ali estavas tu, como eu o previra, junto da aristocrática e altiva Carolina.

 

Sem recear mais, o temor da chuva e do vento que nos fustigava (vocês encontrava-se abrigados por um guarda-chuva), avancei uns passos adiante, para vos puder contemplar melhor. Sai do meu abrigo e fiquei a mercê da chuva que castigava o meu rosto com gotas frias e grossas, empurradas pelo vento que gelava tudo a sua passagem e, dolorosamente, me queimava os ossos com golpes incisivos e precisos.

 

Precipitei-me para vocês e pude, surpreendemente, concentrar-me em cada um dos vossos gestos.

 

O cenário era estarrecedor: Os músculos da tua mão seguiam os contornos da sua clavícula, com a outra mão, alcançavas a sua cintura, enquanto a cingias fortemente contra ti. A Carolina, desequilibrada, segurava numa mão o guarda-chuva, mas no ápice do contacto com a palma da tua mão, deixou-vos a mercê – igualmente – da chuva que, agora, vos fustigava a ambos, fazendo-se escorrer pelo vosso rosto e cabelo.

 

Uma das tuas mãos moveu-se até a base do seu pescoço, agarrando-lhe as raízes do seu cabelo, agora completamente encharcado. A outra mão, delineou os contornos do seu rosto, em círculos suaves e quase impalpáveis para, de seguida, agarrar-lhe bruscamente o ombro, colando-a, sem qualquer possibilidade de fuga, para junto do teu corpo. Os teus lábios entreabriam-se, lentamente, como quem degusta o mais doce dos manjares, deixando a sua boca ao descoberto e recetiva a pressão dos teus lábios de encontro aos seus.

 

Beijaste-a e a sua boca seguiu a tua investida impiedosa.

 

Os seus lábios, desistiram por um instante da tua boca, e desceram um pouco mais para a cavidade do teu pescoço, demorando-se, depois na linha do teu maxilar proeminente. Tu resgataste-a assim que a sua língua chegou ao lóbulo da tua orelha esquerda; aquela onda de fúria e calor desequilibrou-te. Os teus dedos crisparam-se em redor do seu cabelo, uma vez mais, e os vossos lábios moveram-se em uníssono, como se fossem um só, ora lentamente, ora desenfreadamente.

 

Findo o momento de êxtase, o nariz da Carolina colou-se na tua clavícula, imobilizando-se, serenamente, com a parte lateral do rosto encostada ao teu peito. Tu deixaste-a ficar assim apenas uns meros segundos, aconchegada de encontro a ti, para de seguida investires uma vez mais contra os seus lábios, separando-os, vagarosamente, afagando os seus cabelos com as pontas dos dedos e beijando-a, uma vez mais, num momento que pareceu durar uma eternidade, um momento incomensurável…

 

Eu queria desviar o meu olhar mas não conseguia, Tiago. Parte de mim, parecia exilada naquele vosso momento de intimidade. O sal das minhas lágrimas misturou-se com a humidade da água que, abruptamente, jorrava das nuvens cinzentas que desenhavam no céu presságios de maus agouros. O ar frio fez estremecer-me, ainda mais, mas desta feita, não sabia se estremecia de arrepios por padecer de algum mal físico realmente, ou se o meu estado febril, se devia a contemplação do dito beijo.

 

Vanessa Paquete 2014 ©

All Rights Reserved

 

Wish I was HER

 

                                                                   {#emotions_dlg.snob} I guess that kiss belonged to me, despitel all our differences

 

You should had give me that chance, I would prove to you that you`re completely wrong about my inner soul.

It is just a matter how people deals with me... If you`re a nice person you will receive a elegant personality

If you cause damage or pain, you will know the darkest side of the moon

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