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FIFTY SHADES OF VANESSA PAQUETE

FIFTY SHADES OF VANESSA PAQUETE

QUANDO OMITIMOS A NOSSA OPINIÃO EM PROL DA ACEITAÇÃO DAQUELES QUE ADMIRAMOS: ATAQUES A PARIS, NICE & ALEMANHA

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É apenas no silêncio que podemos escutar-nos e revolver a nossa alma, vasculhando os nossos erros e falhas. Quando todos os ruídos cessam, quando a TV, o smartphone, a playlist e os auscultadores estão mudos, só aí é que podemos escutarmo-nos verdadeiramente. Mas ainda que possamos calar os sons externos, qual o botão de volume para interromper os males do mundo? De que modo pedir para pararem as vozes que gritam, os diálogos que não cessam e toda a carnificina que acontece ao nosso redor e estilhaça o nosso cérebro e quebra a nossa fé?


Não existem respostas!


Tampouco soluções.


E essa é irremediável conclusão a que chegamos.


No ano passado por esta altura do ano deram-se os ataques de Paris e, numa onda solidária, todos juntamo-nos, demos as mãos e rezamos por todas as vítimas que haviam sido alvo de tamanha atrocidade, contudo, soluções continuaram a escassear, atentados a acontecer e a nossa vida a prevalecer; por tudo isto relatado aqui acima, gostaria de deixar um testemunho meu relativamente a minha opinião acerca dos ataques terroristas e de algo que aconteceu no ano passado aquando dos ataques parisienses e da nossa omissão de opinião em prol de aceitação.


Sendo eu uma seguidora assídua de um artista, cujo caracter, índole e personalidade muito admiro - apesar dos nossos abruptos diferendos- no ano passado, ao conhecer melhor a sua escala de valores e a cor do seu coração, ele tinha-me a seus pés. Não só porque é uma figura que possui um semblante agradabilíssimo de se contemplar, mas porque, efetivamente, é uma junção de beleza interior & exterior (algo muito raro de se presenciar nos dias que correm) !


Possuindo essa pessoa um blogue, no qual, exprimia alguns textos e sentimentos, eu ansiava fervorosamente por cada palavra sua redigida. A atravessar uma fase algo vazia e decrépita da minha vida onde o desemprego imperava e a desesperança também, afeiçoei-me aos valores que essa pessoa transmitia, todavia, as coisas não correram como eu suporia que poderiam vir a correr no meu imaginário; e quando digo isto nem eu própria sei ou reconheço o que esperava…


Aquando dos ataques parisienses, essa pessoa tinha-me a seus pés por tudo aquilo que é enquanto ser humano.

 

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O seu texto de resposta aos ataques terroristas foi – ao contrário da sua índole pacifista e sempre otimista – um maranhado de palavras revoltadas como gládios que nos trespassavam. Não sei se era exatamente essa a sua intenção, mas, estando eu tão fragilizada e a mercê do seu constante otimismo, aquele texto para mim foi uma facada no meu coração em plena época natalícia polvilhada de solidão.


A minha resposta inicial foi exatamente a minha OPINIÃO – sem tirar nem pôr – como se costuma dizer. Era exatamente aquilo que eu sentia, aquilo que eu defendia e – acima de tudo – aquilo em que eu acreditava; uma resposta que era a antítese daquilo que todas as outras fãs foram escrevendo nos vários comentários que se foram avolumando no blogue.


A minha opinião era nua e crua e diferia em tudo daquilo que ele havia escrito e – acima de tudo – da opinião das suas fãs !


Apesar de acreditar que aquele foi o meu melhor texto político-religioso redigido até a data (com alguns desabafos psíco-emocionais à mistura), a verdade, é que pesava-me na consciência a contradição face a sua opinião; o que iria ele pensar de mim? O que pensariam os seus fãs? Cessaria ele de apreciar os meus textos redigidos no meu blogue? Teria ele achado uma falta de respeito a minha frontalidade? Meu Deus, o que iria aquele homem pensar de mim? O que iria ele pensar de mim após tamanho desabafo, onde desvalorizava os atentados, culpando o mundo, a História, o ciclo da Humanidade e – ainda – fazendo profecias futuras para mais atentados (o que veio tristemente a acontecer)! O que iria ele pensar de mim? Decerto deixaria de favorecer os meus Tweets. Decerto deixaria de fazer Retweet dos meus POSTS, mas aquela era a minha OPINIÃO: teria eu parecido fria e insensível face os olhos daquele homem tão sensível e amargurado com a face obscura da Humanidade?


Estes foram os pensamentos que me ocorreram naquele instante: o medo da não-aceitação e da desaprovação pela colisão tão dura de duas opiniões tão contraditórias. O MEDO prevaleceu sobre a minha verdadeira OPINIÃO e arrastei-me a seus pés para lhe pedir desculpas/perdão, tentando desculpar-me de todas as maneiras possíveis para me igualar as demais fãs que recebiam a sua atenção e iam de encontro a sua OPINIÃO!


Deixo aqui alguns dos trechos do seu texto acerca dos atentados de Paris :

 

" Eu sei que me levou algum tempo para escrever está crónica. Eu sei que é suposto escrever sobre o "sorriso". Eu sei que é suposto ter uma impressão edificante e elevar o positivismo no mundo, não só porque é suposto, mas porque eu assim escolho, mas às vezes ... É tão difícil ...


Eu poderia dizer que a nossa cara tem 44 músculos e que precisamos de 16 músculos para produzir um sorriso, e que, se pensarmos sobre isso, usamos menos de 40% dos nossos músculos faciais para produzir uma das expressões mais poderosas e fascinantes da humanidade.


Eu posso escrever sobre isso, ou ... posso simplesmente vomitar que está ficando cada vez mais e mais difícil de sorrir, quando há tantos lunáticos do mundo.


Quando há um grupo de pessoas decide ir pelas ruas de França e começar a matar pessoas aleatoriamente. O que é isto??? O que é isto???


Mais do que o meu lamento, eu quero compartilhar com as vítimas e suas famílias ... a minha falta de sorriso, a minha falta de vontade de seguir em frente, minha falta de vontade de entender. Pelo menos nos tempos bárbaros pré-históricos, sabíamos a natureza da vida naquela época, mas hoje, neste chamado mundo civilizado, onde supostamente nos sentimos seguros, onde a ciência tem ido mais longe do que nunca, quando mais e mais nos conectamos com nossa espiritualidade e sentido de quem somos no mundo ... De onde é que isto vem???


Eu costumava pensar que uma pessoa que sorri olhando diretamente para nós era uma pessoa que é confiante de si, como se estivesse a dizer: "Eu estou aqui.


Às vezes uma pessoa pode olhar para nós apenas por um curto período de tempo até afastar o olhar, e eu costumava pensar que isso significava que a pessoa era tímida, mas respeitosa e aberta.


Eu costumava pensar que um monte de coisas. Coisas que me faziam sorrir ... coisas fascinantes sobre a nossa condição humana, coisas maravilhosas. Mas está a ficar ... tão difícil.


Todos nós temos famílias ou pessoas que amamos, que tipo de alma perdida estaria disposta a fazer coisas tão horríveis como acabar com a vida das pessoas simplesmente por raiva, vingança ou religião, apenas para causar ainda mais dor?


Eu simplesmente não entendo, acho que nunca vou conseguir."

 

                                                                                                                                               D.Soares CopyRight

 

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Eu costumava pensar que uma pessoa que sorri olhando diretamente para nós era uma pessoa que é confiante de si, como se estivesse a dizer: "Eu estou aqui."
D. SOARES COPYRIGHT

 

Hoje ao abrir o SAPO, deparei-me com um texto que estava na vanguarda do dia como DESTAQUE, e, apercebi-me que aquela era realmente a minha OPINIÃO acerca das notícias de ataques terroristas. Quem pensa assim, talvez o faça por não possuir muito na vida. Outros acham-nos insensíveis, desrespeitadores, carentes, descompensados, seja qual for a razão todos nós temos direito a possuir uma OPINIÃO.


Evidentemente que – curiosamente – após o meu texto acerca do ataque à Paris de dito artista, existiu um hiato de Retweets e Favs incomensurável que me fez sentir culpada por defender a minha OPINIÃO, me fez reprimi-la, apaga-la e acreditar que lhe devia um enorme pedido de desculpas por ter expresso a minha OPINIÃO (por mais do que uma vez)! Acreditei estar a ser castigada e – como tal – posta automaticamente de lado!


Este texto dos DESTAQUES do SAPO espelha o que sempre pensei e agradeço ao seu autor por ter colocado cá para fora aquilo que eu não fui capaz de defender com medo da não-aceitação e da colisão de ideias com esse artista.

 

Aqui fica o texto :

 

Em tempos tive um professor de Ayurveda que afirmava prescindir de ver notícias. Era russo de nacionalidade e tinha passado por vários países, e diferentes realidades, a lecionar e a trabalhar em clínicas de saúde. Era daquelas pessoas que, por tantas vezes mudar, lhe seria indiferente saber se estava em Portugal, na Hungria ou na Índia. Interessava-lhe o Humano – e o Humano existe em qualquer parte do mundo -, o bem-estar do próximo mas, principalmente, o bem-estar de si mesmo. Por diversas vezes nos dizia que trocava os noticiários por séries de comédia. Era assumidamente desligado do mundo, mas profundamente conectado com o próximo. Dizia-nos com alguma frieza: «Posso mudar os males do planeta? Dificilmente. Posso ajudar quem me rodeia. Claro que sim. Para quê sujar a minha mente com problemas pelos quais nada posso fazer? É gastar energia desnecessariamente.» O que à primeira vista nos parecia uma posição insensível, escondia uma sabedoria e uma ferramenta importantes para os dias de hoje.


Quem ontem não se sentiu impotente ao constatar que um camião pode invadir uma avenida repleta de pessoas inocentes e atingi-las sem piedade? Quem não se inquietou e chocou com as imagens de uma pessoa a ser abatida a sangue-frio por um polícia (figura que na sua génese nos dará segurança), em plena transmissão televisiva?


Ontem ocorreu-me as palavras ríspidas do meu antigo professor, quase palavras de desdém por um mundo cada vez mais difícil de compreender e distante do que possamos nós fazer por ele. Escapa-nos das mãos esta realidade feroz e enlouquecida que nos perturba e nos magoa. Infelizmente, olhamos para a História e concluímos que tempos conturbados e violentos são algo que nunca faltou. A nossa pequenez individual é inconsequente a uma estrutura encadeada há centenas e centenas de anos. Há que confiar nos que realmente têm esse poder e esperar que decisões acertadas e corajosas nos tragam fases melhores, dias melhores, anos melhores.


Ontem senti-me como o meu professor, e desejei apenas esquecer-me do mundo, ver o Seinfeld desde a primeira temporada, desencorajar a mente de reflexões, reflexões repetidas infinitamente que em nada me apazigua. Ontem senti-me que desligar-me da realidade é uma resposta tão insensível e cobarde quanto acertada e libertadora. “

 

                                                                                                                                 Fernando Dinis CopyRight

 

 

Ter coragem é defender aquilo em que acreditamos (para o mal e para o bem)! Não permitir que medos de segregação nos oprimam. Não permitir que anuamos com a cabeça sempre e insistentemente com uma adoração fervorosa que assusta o mais devota dos cristãos.


Diferendos de opinião teremos sempre.


O medo da não-aceitação e da desaprovação estará sempre lá e temos de enfrenta-lo face a face.


Todavia, aparte a distância e colisão de opiniões, continuo a nutrir uma afeição desmedida por esse artista, mas agora vivida a solo e gerida a minha maneira.


A vida segue lá fora…


O Natal está aí a porta…


Desliguem-se deste mundo, da TV, do smartphone, da playlist e sorriam/sorriam muito para aqueles que amam!

Porque a morte, doravante. olhar-nos-á sempre de frente e a nós só nos resta VIVER A VIDA SEM MEDO !

 

 

 

 

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