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FIFTY SHADES OF VANESSA PAQUETE

FIFTY SHADES OF VANESSA PAQUETE

OBRIGADO RAPAZES: VOCÊS FIZERAM DO NOSSO INFERNO NA TERRA UM VERDADEIRO PARAÍSO, AINDA QUE POR BREVES INSTANTES...OBRIGADO, MESMO!

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Sim, VENCEMOS!


Somos os Campeões do Euro 2016!


E quão difícil foi a nossa luta. Quão extenuante. Quão irónica e quão imprevisível. Tão imprevisível que nem os próprios franceses queriam acreditar e apelaram a repetição da final.


Antes de Portugal entrar em campo, redigi um POST em que apelava a união da equipa, a todas as batalhas travadas até ao momento, a irmandade que se criara numa equipa malograda e inferiorizada a nível internacional pelos MASS MÉDIA.


No POST pré-final, escrito a pressa, uma hora antes do jogo, numa tentativa vã que as minhas palavras e energia voasse e chegasse até Paris frisava que - afinal – Ronaldo era muito mais do que um jogador e sabia unir em seu redor uma trupe verdadeiramente solidária e companheira.


Ronaldo sabia comandar as tropas...

 

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Toda uma equipa estremeceu quando uma lesão o tirou de campo logo aos dez minutos. Uma equipa, um país inteiro e não só. Até os próprios franceses cambalearam um pouco pois, em segundos, tiveram de mudar mentalmente a sua estratégia tática. Cristiano chorou, tentou, não queria render-se aquele golpe do infortúnio. Saiu e entrou em campo três vezes, a ferrar os lábios para apaziguar a dor e a coxear por entre os seus colegas que o olhavam de soslaio e começavam a aperceber-se da gravidade da lesão do seu capitão.


A primeira saída, todos se juntaram em seu redor (até alguns franceses, condescendentes para com o nosso malogrado infortúnio). Regressou com uma ligadura e os olhos rasos de lágrimas, tais eram as dores e não aguentou por muitos mais minutos; pediu substituição! Num gesto de total consternação, inconformismo e tristeza atirou a sua braçadeira para o chão e contemplou o vazio com uma traça colorida diante dos seus olhos que nem possuíam coragem de se sublevar para as 80.000 pessoas em seu redor.


Nani confortou-o e recebeu a sua braçadeira, num gesto que dizia tacitamente:

 

“ Lutaremos até ao fim!”


E assim o fizeram!


Com força e convicção!


Manifestando indiferença perante os pareceres alheios daqueles que nos queriam roubar os sonhos e a esperança e reduzirem-nos a lama.


Enlevados pelo ímpeto de uma nação inteira que sempre os acompanhou e os dragara com galanteios mesmo quando o jogo não foi tão apreciável ou bonito de se ver.


Patrício aguentou as portas do forte como nenhum outro guarda-redes teria conseguido aguentar e saiu do campeonato europeu com o título de melhor guarda-redes (que orgulho)! E quando Patrício não estava lá para impedir o golpe desenfreado da bola na nossa baliza, os Deuses do futebol pareceram desejar dar uma ajudinha, fazendo com que aos 90 minutos uma bola de pontaria certeira colidisse com o poste.

 

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Foram todos apoiados por um treinador e uma nação inteira que lhes gritava: “Por favor, em nome de Cristiano!” e parece que tal frase surtiu efeito na entrega de todos os jogadores que corajosamente impediam a França de chegar a baliza, obstinadamente, e ainda fintavam a baliza do adversário sempre que lhes era possível. Unidos por um objetivo. Irmãos de sangue na concretização de um sonho.


Cristiano saiu dos balneários no prolongamento e a coxear veio dar a sua palavra de incentivo e tática a ser utilizada a cada jogador. Breves palavras. Breves segundos. Abraços profundos. Um sentido e languido entrelaçar de braços em torno de Ricardo Quaresma, algo desalentado e sem brilho nos olhos. Gestos que ainda breves, parecerem dar alento aos nossos jogadores que sentiam as pernas a cambalear e o suor a escorrer-lhes pela face. Por essa altura, porventura, muita gente já acreditaria apenas na lotaria dos penalties que – a fazer-lhe justiça – não saber-nos-ia a mel, mas apenas a um golpe de sorte ou azar que far-nos-ia levantar a taça.


O golo surgiu do nada… Nunca conseguimos explicar este ímpeto de força que assalta um jogador mal-amado da seleção nacional. É absolutamente inexplicável! Éder marcou ao minuto 109 (que ficar-nos-á para sempre gravado na mente) e numa euforia sem igual, atravessou todos os seus companheiros e foi abraçar o treinador que o mandara entrar em campo; um gesto de agradecimento sem precedentes e de uma beleza singular!

 

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A partir daí, os vídeos da comitiva portuguesa correm mundo: Fernando Santos gritava para dentro das quatro linhas, jogadores levantavam-se impacientes, uma nação inteira contava os minutos e olhava para o relógio e Cristiano transformara-se num puto, a quem , as emoções levaram a sua melhor e ninguém ainda tinha visto essa imagem tão efusiva de Cristiano Ronaldo que parecia verdadeiramente possuído.


Sempre o contemplara ante os meus olhos como o multimilionário, dono de iates e jatos privados a ostentar raparigas belíssimas pelos braços e vencedor de N botas de ouro, todavia, na FINAL, a minha imagem dele no próprio DIA e na PÓS CONSAGRAÇÃO mudou drasticamente: nunca vira um homem de trinta e um anos agir que nem um puto tão efusivamente e com tanta paixão e emoção que foi impossível não deixar o mundo boquiaberto. Não se tratava de BRIO PESSOAL, Ronaldo queria mesmo dar a alegria aos Portugueses de sermos os Campeões da Europa e foi muito bonito de se ver, arrepiante até....


Alma de puto num corpo de 31 anos com uma lesão num joelho que, ainda assim, a coxear saltava, arrastava-se, gritava, punha as mãos a cabeça e chorava... Danificou as costas do treinador tal era o impulso e as suas emoções (e essa imagem jamais esqueceremos) e empurrou um jogador que se estava a queixar a dois minutos de finalizar o jogo para dentro do campo; Ronaldo literalmente EMPURROU-O!

 

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E foi assim que o mito se concretizou e a lenda nasceu…


E por muitos anos vindoura será relatada!


De jogador lesionado, lavado em lágrimas, inconformado, a treinador coadjuvante aos berros e a exultar a sua pátria com lágrimas de alegria, Ronaldo levou a sua equipa a levantar a taça efetivamente.


Fernando Santos havia-o prometido; que apenas regressaria a casa no dia onze de julho! Considerado um homem de crenças e religioso, nunca conseguiremos explicar verdadeiramente que fé, força e coragem moveu estes irmãos de sangue. Contra todas as probabilidades e uma europa incrédula, os portugueses venceram em casa dos irredutíveis gauleses e fizeram a festa no seu estádio ante uma nação inteira que alucinou e viveu a noite mais longa das suas vidas.


A cordialidade, a simpatia, a emoção e a elegância com que agradeceram os seus apoiantes foi magistral. Apoiados por uma série de imigrantes que sempre os fizeram sentir em casa e amados, a seleção nacional antes de partir quis prestar-lhes tributo, abrindo-lhes o portão, saindo cá fora com a taça, erguendo-a e aplaudindo os seus apoiantes: que gesto de elegância!

 

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A isto chama-se força.


A isto chama-se união.


A isto chama-se solidariedade.


Em Portugal foram recebidos como reis e a nação inteira exultou perante eles.


Os putos saltaram no autocarro, arregaçaram as calças e as mangas das camisas (dress code apenas em Belém), pegaram no microfone e cantaram, cantaram bem alto para que toda uma nação ouvisse, que eram eles os campeões!


Ronaldo liderou mais uma vez as tropas, até numa performance inesquecível da sua interpretação de uma música dos Xutos e Pontapés. Era o miúdo mais feliz da classe; aquele que ganhou N botas de ouro e que já havia erguido dezenas de trofeus, parecia incompleto e com o coração a meia haste: é que ainda lhe faltava trazer para o seu país o maior feito inédito do futebol português: a taça de um Europeu!

 

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O destino parece infalível!


Não o deixou ser campeão em 2004 quando Luís Figo era capitão e Scolari treinador, mas fê-lo campeão quando se encontrava ele a frente da equipa enquanto capitão e Fernando Santos treinador (esse engenheiro que tantas voltas dera ao seu destino e que também precisava de acertar contas com Deus e o carrossel da sua vida)!


E foi nessa noite de consagração que se viu “ The True Colours “ de muita gente!


Obrigado Éder!


Obrigado a todos que resistiram a invasão francesa e defenderam o forte com tanta audácia e coragem.


Obrigado rapazes!


Vocês fizeram-me imensamente feliz!


A vida já segue lá fora com atentados e mais carnificina mas – por breves horas – vocês fizeram do nosso inferno na terra um verdadeiro paraíso!


Muito obrigado, mesmo!

 

 

Design de Flyers & Printscreens: Vanessa Paquete 2016 ©

Texto & Crítica: Vanessa Paquete 2016 ©

Fotos: CopyRight INST/TWITTER/NET

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