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FIFTY SHADES OF VANESSA PAQUETE

FIFTY SHADES OF VANESSA PAQUETE

" ME BEFORE YOU " CHEGOU AS SALAS DE CINEMA MAS CONSEGUIRÁ CONQUISTAR O NOSSO CORAÇÃO?

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Não existe forma alguma de dizer isto de uma maneira suave: “Me Before You” desilude!


Porém, Sam Claflin ganha-nos o coração!


Todavia, os espetadores aguardam ansiosamente pela chegada do filme ao cinema e esperam que as suas cenas de cortar o coração lhes algemem a comoção numa espécie de catarse lacrimal ao contemplarem o drama de Will e Lou.


O filme foi adaptado para o cinema por uma estreante que – na realidade – escrevia peças de teatro (Thea Sharrock), o que talvez nos consiga explicar a razão, pela qual, as cenas são cortadas exatamente como se tratassem de atos teatrais e fazem o filme não ter um fio condutor ou fluir naturalmente. Tudo avança e corre a velocidade da luz, e cada cena de suma importância relatada no livro de Jojo Moyes pormenorizadamente perde todo o seu vigor e magia.


Irónico, é sabermos que foi a própria escritora a adaptar o script ao cinema, o que nos faz questionar por que razão terá ela própria assassinado uma estória tão boa e com tantos momentos de clímax no livro fantásticos e subjugado a sua própria obra a uma adaptação tão medíocre?


Seria algo injusto reduzir a performance de Emília Clarke a uma espécie de bobo da corte (que o é no filme, na realidade), só suplantada pelas suas excêntricas malhas multicolores, meias calças de listras, vestidos de avozinha, trancinhas e totós à menina da primária, dado que ainda temos algum respeito pela brava, destemida, dominadora e feminista Daenerys Targaryen, a nossa bem-amada rainha de Game Of Thrones.


Para quem leu o livro, saber-se-á que Louisa Clark é insonsa e sem uma trajetória definida na vida e algo excêntrica nos seus gostos a nível de indumentária, mas não pateta! Aqui, Lou Clark é verdadeiramente pateta. Pateta num drama onde se fala de eutanásia; poderá existir algo mais antagónico? Não é uma comédia romântica mas sim um drama. Creio que alguém ter-se-á esquecido de tal pormenor ao fazer a adaptação cinematográfica o que faz com que Lou seja retratada como uma alienada, desinteressada de assuntos de maior importância na vida, que sorri em todas as circunstâncias – mesmo quando se trata de suicídio assistido -, rasgue a sua roupa ao ir de encontro a portas, namore com um potencial marido igualmente retardado, com expressões faciais que – dificilmente – não nos arrancarão um sorriso por certo….


Sim, ainda continuamos a falar de um filme acerca de eutanásia, embora não pareça!

 

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Sam Claflin tem uma postura diferente enquanto tetraplégico que está absolutamente decidido a colocar fim a sua vida; sem sombra de dúvida que – ao invés – de ser Louisa Clark a tentar puxá-lo para a vida é ele – Will, que mesmo amargurado e distante – lhe ensina algo acerca de agarrar as oportunidades que ainda existem diante dos seus olhos. E, em pouco tempo, a estória sofre um revês, porque muito cedo conseguimos apercebermo-nos que quem se encontra aprisionada é a própria Lou, extremamente incomodada com os olhos azuis-cinza do belíssimo Will que – nem por um só segundo – perde o seu charme, justiça lhe seja feita!


O problema de Emilia Clarke neste filme é que mesmo quando a estória começa finalmente a ganhar balanço e a entrar num território mais sentimental em que as emoções deveriam ser intensas e darem-nos calafrios na pele, Emilia continua a fazer expressões faciais de riso em exagero, quando naquela altura deveria estar a presentear-nos com um belo momento de romantismo: a personagem de Lou é um exagero, chegamos a temer pela saúde mental dela. Em alguns pontos do filme faz-me ter alguns vislumbres daqueles pacientes que tomam Prozac para depressões, absolutamente incapacitados de raciocinarem convenientemente, acometidos pelo riso fácil e acessos de felicidade por tudo e por nada, quando não existem razões para tal; muito menos no que diz respeito a um suicídio assistido!


Não é uma comédia romântica!


Nem é um remake de Bridget Jones, é um drama acerca da eutanásia. Ponto!


Há uma flutuação desenfreada na performance de Emilia Clarke quando – teoricamente – Lou deveria fazer-nos chorar copiosamente, mas Thea Sharrock não conseguiu tal feito com a nossa rainha de Game Of Thrones.


Consegui-o sim com Claflin (Hunger Games) que se apropriou do papel muito bem e quer sarcasticamente ou a lançar-nos cuspidelas de desprezo, ainda consegue fazer com que as nossas pernas tremam feito gelatina, e sintamos comiseração para com ele e nos comovamos com as suas deixas, pois Claflin consegue deixar-nos com um nó na garganta e, aí sim, finalmente Louisa chora, algo que até achava já improvável acontecer na tragédia, tal era a sua visão cor-de-rosa de tudo na vida.


E só Deus sabe o quanto detesto cenários cor-de-rosa…

 

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Já se sabe que em cima da mesa existe sempre a tão conhecida discussão sobre a dificuldade que é adaptar-se uma obra de literatura para o cinema sem dividir os fãs. Como romance, a obra desilude naturalmente pela sua simplicidade, eclodindo num final que nos traz – finalmente – alguma emoção à mistura e, pela qual, os espetadores irão aguardar todo o filme. Como adaptação, muitos capítulos interessantes foram deixados de fora e informação relevante deixada de lado, por conseguinte, aconselho a lerem o livro!


Entender a dinâmica dos dois personagens dependerá muito da nossa própria visão sobre a vida, romances, relacionamentos, metas, objetivos etecetera!


Devo dizer que todos esses elementos estão presentes no filme, porém de maneira tão recalcada que quase temos de andar a vasculhá-los como se estivessem escondidos algures e não sei se tal funciona para mim como telespectadora.


Afinal de contas, deveríamos desmancharmo-nos em lágrimas com a temática mor que é a eutanásia.

 

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Quase a totalidade da longa-metragem é sustentada pela interpretação e jogos de diálogo e ações entre Emilia Clarke (a nossa bem amada Daenerys, da série Game of Thrones, que interpreta a protagonista Lou) e Sam Claflin (o Finnick da saga Hunger Games, que encarna o complicado Will). As cenas funcionam, mas não muito. Lá está, Sam Claflin ganha em toda a performance e parece que Emilia Clarke não consegue acompanhar a sua intensidade de interpretação.


Embora a relação dos dois seja difícil – quem leu o livro sabe-o bem -, somente, e tão-somente nas últimas cenas é que realmente nos é possível ver e sentir a grande interação dos dois personagens (a vinte minutos do fim do filme). Tudo isso somado com uma temática delicada, uma música não muito apelativa, um cenário neutro e a angústia de já se saber o que vai acontecer, gerou um final algo agridoce, mas que, justiça lhe seja feita, conseguiu arrancar lágrimas aos espetadores que já conseguiram visualizar o filme.

 

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Stephen Peacocke (o Stéphanos da última adaptação de Hércules) garante a sua presença ao dar vida a Nathan, o enfermeiro de Will. Nathan é um personagem secundário que possui características extremamente cativantes no livro e, no filme, é possível admirá-lo pela sua paciência, dedicação, maturidade e respeito para com os demais personagens, mas não é um encantamento à primeira vista.


O humor é garantido e até desnecessário nas cenas rápidas e de segundo plano onde Matthew Lewis (o inesquecível Neville Longbottom de Harry Potter) encarna o arrogante e chato Pat, namorado de Lou. E quando digo chato, estou a falar a sério…


Contudo, o filme deixa a desejar ao não trabalhar bem o enredo dos pais de Will, Stephen Traynor (Charles Dance, o Tywin Lannister de Game of Thrones) e Camilla Traynor (Janet McTeer, recentemente vista como Edith Prior na saga Divergente). Embora isso não pareça muito importante no filme pois assumem papeis tão secundários que quase nos esquecemos que existem na trama, o casamento dos dois e o seu relacionamento tem um papel grandioso na obra de Jojo Moyes; aqui completamente anulado!


Novamente, de realçar, que é a decisão de Will e a interpretação de Sam Claflin que puxam lustro a esta adaptação cinematográfica e lhe dão brio.


Seria hipócrita se afirmasse que Claflin não me fez chorar com a sua cena pungente na praia com Emilia Clarke e que a única lágrima que lhe rolou pelo olhar ao despedir-se de Lou, na Dignitas na Suíça, não me partiu o coração. De salientar, vincar e sublinhar que Sam Claflin realmente ganhou-me a admiração e encheu o meu peito de sentimento.


Entre Game Of Thrones (a alucinada Louisa Clark e o pai de Will Traynor), Downtown Abbey (o magistral Mrs. Bates é o pai de Louisa num papel secundaríssimo), Harry Potter (o descabido arrogante obcecado por recordes namorado de Lou) e Hunger Games (Will Traynor), ganhou claramente Finnick de Hunger Games!


Sam Claflin é a estrela mor do filme.


Tão estelar que até conseguimos compreender a decisão de Will!

 

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Design de Flyers: Vanessa Paquete 2016 ©

Texto & Crítica: Vanessa Paquete 2016 ©

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