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FIFTY SHADES OF VANESSA PAQUETE

FIFTY SHADES OF VANESSA PAQUETE

DITAMES DA BELEZA (O FLAGELO DE SER-SE ROLIÇA)

 

 

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O que é ter-se beleza?


Todos nós sabemos que o comportamento do ser humano varia conforme a mentalidade de cada época. Mas cada mentalidade advém do ser humano e da visão que este possui do mundo e de si mesmo diante de inúmeras interrogações pessoais que nos são impostas pela sociedade.


O ser humano vive de acordo com a cultura local e a Moda que se encontra em Voga. Raros são aqueles que vivem, nos dias que correm, em prol de uma busca íntima/espiritual que lhes permita sentirem-se bem com as suas próprias escolhas pessoais.


Ser-se roliça e curvilínea e fugir aos estereótipos da magreza extremista implementada no decorrer do século XX, é ser-se diferente! A nossa saúde física e mental é relegada para último plano, simplesmente, para satisfazermos o parecer dos demais e a imagem que vemos refletida no espelho. É-nos exigida beleza, graciosidade, formas simétricas, cabelos sedosos a ondularem ao vento, indumentárias a adelgaçarem-nos o corpo, tudo em prol de conquistarmos um lugar ao Sol onde quer que seja, quer na nossa vida amorosa/emocional, quanto na nossa vida profissional.


Parece que os ditames da beleza ditam o nosso cargo profissional, o coração que conquistamos, as amizades que vamos agregando ao nosso redor: tudo!


De se salientar que os ditames da beleza sempre tiveram a sua influência nos anais da história e, dificilmente, poderemos esquecer que Impérios se ergueram e outros tantos capitularam em prol da beleza de um ser feminino! Eva foi a primeira pecadora. O primeiro estereótipo de beleza. Uma mulher tão bela e irresistível que Adão não lhe conseguiu resistir, acedendo aos seus pedidos, e acabando por destruir a terra prometida do paraíso, a ingerir o fruto proibido: assim nos reza a lenda!

 

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Nos anos 1950, Marilyn Monroe era o modelo de beleza feminina. Hoje, Norma Jean, aquela que foi considerada a mulher mais sexy de sempre, muito provavelmente, ver-se-ia forçada a emagrecer uns dez kilos e seria, de imediato, colocada pelos seus agentes sob uma dieta férrea, ou tão simplesmente, seria convidada a tornar-se vegetariana, a frequentar o ginásio sete dias por semana e em cada contrato que assinasse existiria uma cláusula destinada a alínea “ peso & aparência “!

Em meados dos anos 1980 surge o culto da magreza.


Começa a fase da cultura estética, o horror a tudo que é mole, flácido, gordo e sobre os obesos recai o estigma moral. Tal flagelo recaí que nem uma bomba atómica em países de origem Europeia, onde ser-se magro passa a ser a demanda do Santo Graal. Essas características têm levado conglomerados de mulheres a procurarem centros cirúrgicos para poderem estar de acordo com a moda. Os processos atuais da construção de corpos femininos, tanto no sentido de práticas corporais (regimes exaustivos de exercício, dieta, cirurgias cosméticas ligadas à fantasia do 'aperfeiçoamento' do corpo, segundo padrões estabelecidos de beleza, e preocupações - em proporções obsessivas - com a aparência, a moda, como ditado por uma indústria cultural que sustenta a cultura do narcisismo…


A indústria cinéfila, o mundo da moda e do entretimento em geral invadem-nos diariamente as casas e as revistas que folheamos com imagens perfeitas de mulheres esbeltas; quer atrizes, quantos artistas do mundo fonográfico, jornalistas, desportistas… o mundo parece ter-se rendido ao estereótipo da perfeição e, caso fujamos dele, obrigatoriamente somos aperfeiçoadas que nem bonecas de porcelana a custa de programas informáticos especializados para tal: o Photoshop ainda continua a ser o mais mediático e celebrizado no meio!

 

Em 1990, Madonna, gravaria aquela que viria a ser um dos seus temas/cunho de marca para todo o sempre. Fazendo uma clara e inteligente alusão os ditames de beleza e um trocadilho interessente ao mundo da dança (dado que " Vogue " além de significar MODA também advêm do verbo DANÇAR e significa " Dança " ). Madonna recriaria uma mística em torno das maiores estrelas de Hollywood, já perdidas, homenageando-as em simultâneo. O seu ar de " Marylin Monroe " e os seus movimentos dance só ajudariam a fazer com que o tema singrasse nos Charts e se tornasse icônico !

 

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Os diários das adolescentes de outras épocas encontravam-se preenchidos, principalmente, com as reflexões acerca do seu caracter sobre os desafios de amadurecimento de personalidade; hoje em dia, a preocupação central gira em torno da sua aparência física e da apresentação do seu corpo perante os demais. Para as adolescentes do século XX & XXI, a autoestima parece depender muito mais do tamanho do seu nariz, da cintura adelgaçada, das pernas longínquas do que da maneira como desenvolvam capacidades de relacionamento com o mundo.


Atualmente há uma padronização perversa que não respeita as características anatômicas de cada cultura. O que faz lembrar um pouco o conceito da “ Raça Ariana “: perfeita quanto à cor dos olhos, altura ideal, corpo perfeito etecetera. Se olharmos para os anais da História, Adolf Hitler, parece ter sido um dos grandes empreendedores e impulsionadores dos ditames da beleza e da cultura que se pratica em torno da nossa fisionomia; irónico, não?


Muitas mulheres têm desistido de ser mãe para não engordarem; outras vivem num regime diário onde tomam medicamentos que ora engordam, ora emagrecem. Existem milhares de pessoas que se tornaram bulímicas ou anoréxicas a custa dos ditames da beleza.


É interessante de se analisar que quando as mulheres usavam roupas cobrindo boa parte do corpo não havia tanta preocupação com a estética e as maleitas que advêm dela: estrias, celulite e gordura localizada. E se formos mais além iremos ver que houve períodos da história humana que ser-se roliça/curvilínea era sinônimo de beleza e não de feiura. Somente quando as mulheres passaram a mostrar mais o seu corpo em meados do século XX, é que nasceu a dita preocupação com as “imperfeições femininas”. Com a emancipação da mulher adveio, idem aspas, os seus maiores dilemas a nível físico pois todas as atenções passaram a estar centradas no núcleo feminino da sociedade.


O conceito de MODA representa o agora; estilo é perene. Moda é algo que o ser humano segue; estilo é algo que o individuo cria. Moda é fazer parte de um rebanho, alistar-se na multidão; estilo é algo sobre a visão pessoal de cada um, sobre as suas particularidade e seus maneirismos. As mulheres possuem todo o direito de cuidar do seu corpo, mas jamais deixarem de ser racionais em prol dele. Quando desejamos muito mudar algo em nós é porque existe subjacente um grande descontentamento interior. Um dos motivos de tantos distúrbios mentais é o narcisismo. É notório, nos dias que correm, vermos adolescentes que saem à noite; quer para bares ou locais festivos. Se a sua presença passa despercebida ante os olhares dos jovens ou se a sua fisionomia não atrai os seus colegas na Secundária, a tendência é uma Auto Culpabilização latente que as leva a atos extremos de martirização e flagelo que lhes surripia toda e qualquer réstia de racionalidade. Quando não conseguem obter a atenção dos demais o corpo é que paga; anulam a sua personalidade e tentarão encontrar meios de se juntarem a elite dos socialmente aceites. Relegarão para segundo plano o seu intelecto em detrimento de um corpo perfeito que tentarão obter a todo o custo, nem que para isso tenham de negligenciar a sua saúde e autodestruírem-se: quem negligencia a sua própria saúde em detrimento de tendências e da moda vigente não valoriza a sua própria vida.


A pressão aumenta ainda mais quando se trata de celebridades e embora, muitas de nós mulheres, julguemos que o dito flagelo nunca ataca as endeusadas artistas e só aflige o comum dos mortais, a verdade é que tal é pura ilusão. Elas são belas, ricas, talentosas e, claro, famosas, mas nem por isso escapam do dito flagelo que é o envelhecimento corporal e, consequente, obesidade. Seja por problemas psicológicos, ou apenas mero deslize, Christina Aguilera, Kelly Clarkson, Mariah Carey, Laura Pausini e Lara Fabian são apenas algumas das celebridades que já tiveram – ou ainda têm – problemas de peso, assim como a maioria de nós, mulheres na casa dos trinta, a debaterem-se arduamente com a sua silhueta.

 

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Christina Aguileira
pouco se pronuncia acerca da sua relação com o corpo. Tendo passado a maior parte da sua vida muito magra, foi bastante chocante quando a coach do The Voice começou a ganhar peso. Sua única declaração sobre o assunto foi em 2012 numa entrevista à revista People, quando declarou amar o seu corpo, independentemente do peso que este sustentasse.


Diferente de muitos casos, o peso extra da cantora não foi consequência de sua primeira gravidez, em 2008, quando teve seu primogênito, o pequeno Max. Ela começou a engordar entre 2010 e 2012. Logo de seguida, a cantora focou-se no estilo de vida saudável, e voltou a exibir um corpo perfeito.


Em 2014, Christina ficou grávida pela segunda vez, e hoje, sete meses após o parto, exibe um corpo coerente ao atual momento de sua vida.

 

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Kelly Clarkson
é outra das artistas onde a oscilação de peso é uma constante. Se olharmos para a sua fisionomia acreditamos, invariavelmente, que o seu percurso normal seria de uma obesa curvilínea, cujo peso, iria sempre aumentando com o passar da idade. E a verdade é que, embora Kelly, tenha tido desde o início da sua carreira um corpo esbelto e adelgaçado, os ossos proeminentes do seu rosto e cara cheia faziam adivinhar um futuro negro na vida da artista relativamente ao peso.


A artista norte-americana engordou muito cedo, mesmo antes dos trinta, e pareceu aceitar bem a situação, não se coibindo de continuar a usar jeans justos. As oscilações de peso ocorreram, claro, variadíssimas vezes, ou porque a pressão mediática em seu redor assim o exigia ou aquando do lançamento de um álbum, todavia, a aparência normal de Kelly é curvilínea e IN EXTREMIS; desleixo, quiçá? Ou talvez Kelly, pura e simplesmente, não goste do ginásio e pouco ligue a balança...

 

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Dona de uma voz incrível e hits atemporais, Mariah Carey passou a maior parte de sua carreira sendo vista como uma mulher belíssima e dona de uma silhueta de invejar. Apesar de nunca se ter pronunciado publicamente acerca da sua relação com o seu corpo, a diva de R&B é constantemente fotografada por paparazzi a entrar e a sair do ginásio, o que nos demonstra que Mariah se importa sim e não está disposta a abdicar do seu título de “artista mais sexy da década de 90”


As suas maiores perturbações começaram aquando de uma depressão em inícios do milênio, mas, passada a tempestade, e, ressurgida a bonança, foi desde a sua gravidez (de gêmeos) em 2010 que a cantora voltou a passar por períodos oscilantes com a balança, tendo momentos em que estava muito magra, como em 2012, quando lançou o single Triumphant (Get ‘Em), e, pouco tempo depois, com um peso visivelmente maior. Especula-se que Mariah tenha feito intervenções plásticas durante esse período, mas nunca nada foi comprovado ou afirmado.

 

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A artista Belga, Lara Fabian, nunca se coibiu de falar abertamente acerca da sua relação amor-ódio que deteve ao longo de variadíssimos anos com o seu corpo. Roliça e curvilínea por natureza, com ancas de cariz latino, visto ser descendente de italianos, Lara sempre se mostrou uma fã da boa comida e da chocolataria belga e inimiga da balança. A pressão sobre a sua silhueta e o seu corpo só tomou proporções mesmo sérias quando Lara foi capitulada para o centro das atenções francófonas de todo o mundo ao lançar o seu 3ª álbum de originais. Tendo atingido a tão desejada fasquia de milhões de álbuns vendidos e singrado até ao pódio de vários CHARTS internacionais, Lara, fez capa de variadíssimas revistas. A somar a toda esta mediatização da sua pessoa, ainda existiu o famosíssimo contrato com a Sony Music, para a realização do seu primeiro álbum anglofónico. A 12ª cláusula do contrato era específica e bem clara: a artista Belga teria de emagrecer pelo menos dez kilos (algo que viria a ser tão típico nos contratos assinados com a Sony Music). Lara Fabian emagreceu moderadamente e – na realidade – a nova magreza não parecia, de modo algum, ser-lhe prejudicial a saúde, muito pelo contrário, Lara era agora uma mulher de trinta anos de idade belíssima.


Todavia, com o passar dos anos, algumas depressões e relacionamentos falhados pelo meio do caminho, Lara foi-se vingando no corpo e nas dietas, até acabar por ficar numa magreza latente IN EXTREMIS que pareceu nunca mais querer abandonar. Na realidade, Lara transformou-se em vegetariana, e a medida que os anos passam o seu estado normal é a magreza! Variadíssimas vezes discutiu publicamente, em revistas, ou em programas de televisão a sua relação inconstante e perfecionista com o seu corpo, argumentando, que tinha de obter uma linha perfeita e jamais desejava regressar as formas curvilíneas do seu início de carreira e a cara de “ efeito bolacha “! Sempre tentando provar a si mesma que detêm o corpo perfeito, Lara Fabian, posa regularmente, seminua para o booket e capa de cada um dos seus álbuns. A perfeição é a sua meta a atingir…

 

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Laura Pausini é outra das artistas que admite publicamente ter gravíssimos problemas de oscilação de peso e embrenhar-se em dietas drásticas que a fazem perder até 20 kilos em duas semanas. A adolescente que invadiu as nossas vidas com os seus êxitos em italiano e detinha um corpo de fazer inveja a qualquer ragazza de 18 anos, admitiu ser muito insegura, dependente dos demais e claustrofóbica socialmente, por incrível que pareça.


A sua relação de nove anos com o seu manager parece ter contribuído para a sua falta de autoestima, já que o mesmo lhe dizia, vezes sem conta, a quão roliça esta se encontrava. Em tournée, Laura admitiu, necessitar de comida extra para aguentar o ritmo o que a fazia engordar progressivamente. Afiançada ao estilista Giorgio Armani e representativa da sua grife, Laura solicitava sempre ao estilista fatos de casaco comprido, onde as suas ancas pudessem ser escondidas.


Já nos seus vinte, a sua silhueta roçava nas ancas largas e Laura detestava tal escondendo-as sempre. Após ter gravado o seu terceiro álbum de originais com apenas 22 anos de idade, e, após ter empreendido a sua primeira Tournée Mundial, Laura perde a sua voz e fica impedida de comunicar durante seis meses, sob a agravante de nunca mais vir a cantar. A medicação prescrita fá-la engordar uns bons kilos e quando Laura lança o seu 4ª álbum de originais, as fotos de lançamento mostram uma Laura de cabelos cumpridíssimos e ondulados (seu cabelo natural) e uma silhueta sobejamente roliça. Todavia, as oscilações de peso, como a própria viria a afirmar viriam a dar-se sempre com os lançamentos dos álbuns e atribuições de prémios, eventos, para os quais, tinha sempre de emagrecer obrigatoriamente.


Em 2001, em plena crise emocional, e imbuída numa depressão devido ao término do seu relacionamento, Laura emagrece 15 kilos. A acrescentar a sua fragilidade psíquica/emocional ainda existia o tal contrato, idem aspas em Inglês, com a castradora Sony Music, onde, mais uma vez, se exibia uma alínea de emagrecimento obrigatório. Daí em diante a sua relação com o corpo seria uma autêntica montanha-russa: salvou-a Giorgio Armani que sempre desenhou vestimentas que escondiam e se adaptavam as suas formas roliças. Em 2006, empreende uma relação que dura até hoje com o guitarrista Paolo Carta, que afirma ama-la roliça ou adelgaçada o que ajudou a contribuir muito para algum do seu desleixo corporal e deixou-a relaxada. Todavia, após o nascimento da sua 1ª e única filha, Laura viu-se obrigada a emagrecer 40 kilos e, de ora em diante, é adepta da comida saudável e do exercício regular.


Tal como Lara Fabian, os quarenta, demonstraram-nos uma artista muito preocupada com a sua saúde e aperfeiçoamento do seu corpo, enquanto os trinta foram um verdadeiro efeito ioiô!


Todavia, um efeito desconcertante em Laura Pausini, é que a sua beleza facial nunca se desvanece, quer pese 55 ou 75 Kilos !

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O caso da bloguista, MOI, Vanessa Paquete… Para ser sucinta, sempre fui roliça, rosto cheio e redondo e extremamente curvilínea. Os ditames de beleza apanharam-me desprevenida após o fim de um relacionamento de sete anos. Pressionada pelas convenções sociais da freguesia que habitava, Leça da Palmeira, e por um amor do passado que a semelhança de Johnny Depp, aprecia tão unicamente raparigas de cariz tábua estilo Kate Moss e Vanessa Paradis, o meu subconsciente obrigou-me a emagrecer até obter os tão desejados 45 kilos. Na magreza, anorética e obcecada com o meu corpo permaneci por quatro anos, mas, tal como os exemplos acima referidos, os trinta atingiram-me em cheio e fizeram-me regressar as minhas linhas curvilíneas e obesas, chegando a atingir os 80 kilos.

 

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 Vanessa Paquete 2015 ©

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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