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FIFTY SHADES OF VANESSA PAQUETE

FIFTY SHADES OF VANESSA PAQUETE

CÉLINE DION DESPEDIU-SE DO MARIDO RENÉ ANGÉLIL NUMA CERIMÓNIA SÓBRIA, ELEGANTE & COMOVENTE NA BASÍLICA DE NOTRE DAME NO QUEBÉC COM DIREITO A HONRAS DO ESTADO

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René Angélil despediu-se do mundo da mesma maneira que sempre o vivenciou: com sobriedade, elegância e generosidade. Os preparativos foram todos arranjados por ele mesmo e pelas pessoas de confiança do seu círculo de amizades e trabalho. Antevendo a sua morte, René, não desejou sobrecarregar Céline com todos as comemorações subjacentes a sua morte, o que não fez de modo algum, que tal ato altruísta amenizasse a dor da cantora canadiana que entrou ontem cabisbaixa e destroçada na catedral da Basílica De Notre Dame, vinte e um anos após ter proferido ali, naquele mesmo local, votos de amor eterno perante o mentor da sua carreira. Ontem, Céline Dion palmilhou o mesmo caminho que encetara vinte e um anos antes vestida de branco, mas desta feita envergando um tailleur negro e um véu rendilhado sobre o seu rosto para dizer adeus ao amor da sua vida, falecido a 14 de Janeiro, com a idade de 73 anos e vítima de cancro.

 

Réne Charles, de apenas quinze anos de idade, acompanhou toda a cerimónia fúnebre sobriamente, demonstrando uma grande maturidade já precoce! A ele coube-lhe ser o conforto e apoio da sua mãe bem como a recitação de um dos elogios fúnebres; o outro seria encetado pelo filho mais velho de Angélil do seu anterior casamento: Patrick!

 

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Céline manteve-se durante horas ao lado de caixão aberto do seu marido enquanto cumprimentava variadíssimas figuras políticas, públicas e culturais bem como amigos, família e cidadãos do Québec, que fizeram fila na gélida tarde de Quinta-Feira para compartilhar as suas condolências a cantora canadiana. Barbra Streisand foi uma de entre as muitas celebridades que envolveram os seus braços em torno do corpo fragilizado de Céline. De recordar, que ambas as vocalistas firmaram uma sólida amizade aquando da gravação em 1997 do épico dueto “ Tell Him “!

 

O Primeiro-Ministro do Québec que se mostrou muito emocionado durante toda a cerimónia, havia anunciado no início da semana que a bandeira na Assembleia Nacional estaria a meia haste pois René teria uma despedida fúnebre com honras de estado, dado a sua contribuição no âmbito cultural para toda a comunidade do Québec, e assim cumpriu. Também coube ao Primeiro-Ministro, após o desenlace das alianças e o regresso das mesmas as mãos de Céline, ser ele o primeiro a erguer-se na Basílica e a ir cumprimentar, mais uma vez, a esposa do visionário empresário que oferecera aquela parcela francófona do Canadá o seu maior tesouro: a maior cantora de todos os tempos; Céline Dion!

 

Treze câmaras abrangeram de todos os ângulos possíveis a cerimónia católica, supervisionada pelo Arcebispo de Montreal, Christian Lepine.

 

 

A cerimónia tratou-se de uma liturgia muito sóbria, embora, René, não tenha conseguido estancar as lágrimas que rolaram pelos rostos de todos os presentes, ao ter como último pedido, que ao longo da cerimónia, quatro das suas canções preferidas de toda a carreira de Céline servissem de banda-sonora. A mais comovente, porventura, terá sido a entrada da família Dion-Angélil com Céline carregando os seus filhos gêmeos pela mão na basílica às 15:20 da tarde, hora meticulosamente respeitada religiosamente, devido ao tema de Céline “ Trois Vingt Heures “ escrito por Eddy Marnay em 1984, uma canção gravada por Céline na sua adolescência e que – ironicamente – parecia documentar à letra aquele instante/aquele encontro as 15:20 da tarde, naquele local. “ All The Way “, um dueto gravado com Frank Sinatra (já falecido) à custa das novas tecnologias e por quem René nutria uma forte admiração também seria incluída na cerimónia, bem como o hino de Luc Plamandon “ L`Amour Existe Encore “, um momento de reflexão para Céline e comoção que impeliu a sua mãe a erguer-se do seu banco e rodear a sua filha com os seus braços no final da canção. Aliás várias foram as vezes que a cumplicidade entre mãe e filha estiveram presentes ao longo de toda a cerimónia, a título de exemplo, Céline a meio, debruçou o seu braço direito para trás e agarrou fortemente a mão da sua mãe como que a pedir auxílio e conforto.

 

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Momento absolutamente memorável e para sempre inesquecível, a despedida do René Angélil da basílica de Notre Dame. Foi ao som de “ Porque Tu M`Aimes Encore “ de Jean Jacques Goldman que o caixão de Angélil foi transportado pelos seus filhos, acompanhado por uma Céline de rosto cinza e lágrimas a caírem-lhe pela face. Toda a Basílica exultou a sua admiração pelo empresário, depondo naquele momento todos os seus sentimentos de gratidão, ovacionando-o de pé por cerca de quatro minutos, sob uma chuva de salva de palmas gritante, assobios de exaltação e beijos de despedida direcionados para o caixão: um momento que, para sempre, ficara lembrado na memória coletiva do povo canadiano e da comunidade do Québec.

 

René é ovacionado durante quatro minutos sob uma chuva de salva de palmas entre lágrimas e beijos direcionados ao seu caixão ao som do tema " Porque Tu M`Aimes Encore "

 

A saída da Basílica outro momento comovente: perante o povo canadiano e a imprensa, o adeus ao caixão de René (pelo menos o adeus público). Foi uma Céline dilacerada que curvou o seu corpo gelado pela brisa do anoitecer que já se fazia sentir e depôs os seus lábios no caixão do seu marido como que a agradecer-lhe tudo o que ele havia feito por ela. Antes de entrar no carro funerário, Céline ainda direcionou um último adeus ao seu público e a todas as personalidades presentes e, num gesto de pura, comoção, ergueu os seus olhos para os sinos da Basílica de Notre Dame, escondeu o seu rosto incrédulo por entre as mãos e chorou copiosamente por uns breves segundos…

 

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Angélil nasceu em Montreal a 16 de Janeiro de 1942, filho de pai sírio e mãe canadiana, facto que talvez fez com que uma parte da liturgia fosse cantada em árabe. Angélil iniciou a sua carreia no mundo fonográfico em início de 1960 como intérprete de uma banda que acabaria por fazer covers dos Hits mais mediáticos dos Beatles, todavia, o apelo à gestão de carreiras e a descoberta de novos talentos, cedo acordou nele o gigante que desejava conquistar o mundo com a sua mestria e os seus protegidos: Rene Simard e Ginette Reno seriam dois dos intérpretes canadianos que haveriam de ser criados sob as suas asas mas sem grande fôlego e alento para voar além-fronteiras: o maior sonho do empresário canadiano!

 

Tido como um sonhador, um utópico e um empreendedor de quimeras, poucos foram aquelas que acreditaram na genialidade de René e que o conseguiram acompanhar nas suas conquistas visionárias, nem mesmo a cantora Ginette Reno que ao abandoná-lo o fez desistir do mundo fonográfico e regressar a universidade para finalizar o seu curso de advocacia. Desacreditado da indústria do mundo da música e incapacitado já de acreditar que, algum dia, conseguiria exportar uma cantora francófona canadiana para o mundo, foi com grande relutância que o empresário já a caminho dos seus quarenta anos, escutou uma jovem de treze anos de Chalermagne. A voz de Céline conquistou-o de imediato, todavia, Angélil questionava-se se o mundo estaria preparado para receber mais uma criança prodígio, contudo, os argumentos, a comoção da voz de Céline e a sua paixão desenfreada pelo mundo da música, não restavam margens para dúvida que aquela jovem podia ser o seu passaporte além-fronteiras.

 

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A parceria musical foi apoteótica no mundo francófono canadiano: uma jovem adolescente acabara de conquistar uma comunidade inteira e preparava-se para conquistar um país na sua totalidade para partir, de seguida, para o mundo! Foi em Dublin, no ano de 1988, que uma jovem de vinte anos, a representar a Suiça com o tema “ Ne Partez Pas Sans Moi “ venceu por um único ponto a vitória que já estava consagrada ao Reino-Unido. Seria – na realidade – a votação de Portugal a determinar na penúltima volta o destino de Céline naquele Festival da Eurovisão.

 

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Nessa noite, um comovido, rejubilante e extasiado Angélil despedir-se-ia de Céline, antes de ambos regressarem aos seus quartos de hotel, com um aveludado beijo na boca. Gesto reciproco por parte de Céline que já guardava o seu segredo de amor há algum tempo, sem acalentar qualquer esperança.

 

Céline, sempre afirmou, desde o momento que assumiu a sua relação com René que sabia que vê-lo-ia partir primeiro, bem como toda a sua família, visto ser a mais nova dos catorze irmãos, mas que não deixaria de percorrer o seu caminho, conquistar tudo o que havia para conquistar e aproveitar ao máximo o tempo de ambos nesta existência, e assim cumpriu!

 

Contra ventos e tempestades, um diagnóstico de cancro do ano de 1999, perda de voz ao longo da sua carreira, cansaço, uma miríade de prémios, projetos e projeção mundial, um interregno de dois anos, Céline e René nunca desistiram dos seus sonhos, tampouco de terem filhos, apesar das dificuldades para os terem. René Charles trouxe um novo alento a vida do casal e projetou na carreira de Céline uma nova luz. Eddy e Nelson nasceriam dez anos mais tarde, completando assim a felicidade do casal. O regresso do diagnóstico de cancro em 2014 ditou o fim de René Angélil, contudo, a sua obra perdurara para sempre através da carreira de Céline Dion que já tinha agendado para 2016 o lançamentos de dois álbuns: um anglofónico e um francófono! A voz de René Angélil ecoara para sempre através da sua criança prodígio que conquistou o mundo e se transformou numa estrela à escala planetária!

 

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Obrigado René!

 

Design de Flyers: Vanessa Paquete 2015 ©

Texto & Crítica: Vanessa Paquete 2015 ©

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