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FIFTY SHADES OF VANESSA PAQUETE

FIFTY SHADES OF VANESSA PAQUETE

DIOGO MORGADO ESTREIA-SE NA SUA I LONGA METRAGEM COM UM UMA COMÉDIA DE CONTORNOS MÍSTICOS ONDE RUI UNAS E MARCO HORÁCIO SÃO OS PROTAGONISTAS (CLEAN VERSION)

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O ator/realizador Diogo Morgado rodou em terreno Algarvio (Faro) a sua primeira longa-metragem - uma comédia de contornos místicos; assim o afirmou o ator aos diversos órgãos de comunicação social. No cardápio de atores encontram-se várias caras conhecidas do público português, d`entre eles o mágico Luís de Matos, o comediante Marco Horácio e a atriz/apresentadora Luciana Abreu, bem como o seu melhor amigo: o entertainer português Rui Unas e Manuel Marques!


O filme foi anunciado por este Blogue quando tampouco se sabia onde iria acabar o projeto.


Erroneamente, lancei-o de imediato nas salas de cinema; previsão otimista e facilitada para um filme de recursos singelos e luta árdua para ver a luz do dia numa tela de cinema. Quiçá, eu seja mais otimista que o próprio realizador e equipa e o meu presságio se tenha realizado!


Diogo Morgado, que no início da sua carreira, afirmou por variadíssimas vezes que desejava ter uma carreira eclética e abranger vários projetos (promessa que talvez não tenha sido levado muito a letra dado os seus papeis de galã romântico na dramaturgia portuguesa) cumpre assim o seu objetivo de passar para trás da câmara e realizar um projeto há muito pensado (ou não tivesse o ator rumado a Hollywood após a gravação da telenovela Vingança par tirar um Curso De Realização) e agora plenamente concretizado.


Atirado nas sitcoms portuguesas, minisséries, telenovelas e até telefilmes para papeis sempre de cariz romanesco/dramáticos (algo que sempre lhe caiu muito bem), o ator nunca escondeu a sua ambição de interpretar um lado mais obscuro das personagens. A sua ambição levou-o a rumar a Hollywood onde – como todos sabemos – alargou os seus horizontes e pode experienciar em primeira mão, durante uns três anos, as luzes da ribalta da cidade dos anjos e da cidade que nunca dorme (variadíssimas foram as suas aparições em programas de renome Nova-Iorquinos de Los Angeles e afins).


Tal percurso, deu-lhe o impulso e o conhecimento necessário para se aventurar na sua primeira curta-metragem “ Break “ em 2013 que, já na altura, contava com duas pessoas do seu foro intimíssimo como atores (Lúcia Moniz e Rui Unas). Diogo sempre pareceu desejar mostrar ao público uma faceta desconhecida dos atores sobre, os quais, incidia as suas obras. Tome-se como exemplo Rui Unas, conhecidíssimo comediante, que em “ Break “ veste a pele de André, uma personagem que foge da sua realidade circundante e abraça o seu mundo de alienação. Um papel bastante atípico para o comediante/apresentador que na dramaturgia portuguesa, diga-se de passagem, apenas se tem cingido ou submetido a papéis de ínfima importância e limitada relevância (bem como Luciana Abreu)!

 

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Em “Malapata” Diogo Morgado coescreveu o argumento com o seu irmão (Pedro Morgado), editou a imagem com um amigo da escola, cujo sonho, era fazer uma longa antes dos trinta e rodeou-se dos seus melhores amigos para levar o projeto avante. A equipa não ultrapassou os doze elementos. O que para muitos poderá ser mais um simples filme, para esta equipa, é um sonho tornado realidade e, tal, notava-se na comoção, com que Diogo Morgado se dirigiu a todos na ante estreia do mesmo.


O ator Diogo Morgado parece ser – e a experiência pessoal cada vez mais me comprova isso – um individuo desconfiado que quando empreende um projeto seu de supra importância escolhe a dedo a equipa que o rodeia: é como se Diogo fosse buscar a sua “ malta “ e, ao invés de ir tomar um café com eles, dissesse “ Hey, pessoal vamos fazer um filme “! Todavia, desengane-se quem achar que se trata de “um trabalho de casa”; é um filme a sério. Simples. Despretensioso. Com muitas cenas de arrancar gargalhadas. Feito com paixão e força de inovar e provar que com poucos recursos e força de vontade se pode sonhar, fazer, idealizar e – no fim – concretizar.


Muito já se ouviu falar do filme “Malapata” – para aqueles que estão atentos a comunicação social -, e já saberão que se trata de uma comédia onde a premissa base parte de um prémio que poderá deixar os seus protagonistas (Marco Horácio e Rui Unas) ricos e a mercê de algumas situações insólitas devido a ganância e a uma suposta e inesperável maldição que a sorte concebida lhes parece acarretar. Mais do que uma comédia que traz bom humor através de Marco Horácio (excelente no seu papel) e Rui Unas, “Malapata “– a meu ver – faz uma certa sátira a exuberância que as pessoas tendencionalmente abraçam quando possuem dinheiro ao seu alcance e NÃO SÓ, “Malapata” junta duas personagens completamente antagónicas (Carlos e Artur) que noutras circunstâncias jamais tornar-se-iam amigos, mas que também personificam os preâmbulos da nossa consciência.


Diogo sempre gostou de se aventurar na psique humana e, embora, classifique a sua produção como um filme simples – que é – e despretensiosos, a verdade é que em Artur e Carlos consegue ver-se uma dicotomia: um representa a racionalidade e a ponderação, o outro a emoção e a impetuosidade, porém, é neste desequilíbrio de personalidades e antagonismo de caracter que os atores se encontram e vivem as mais caricatas peripécias enquanto se debatem com a estranha questão: estarão eles sob o efeito de uma malapata (má sorte) associada aquele prémio?


Um acredita que sim.


O outro não!


Diogo Morgado gravou orgulhosamente o seu projeto agarrado a uma câmara, de vestes muito informais, cabelo castanho-escuro desalinhado, escondido sob um chapéu e barba já a cobrir-lhe o queixo feito um Peter Jackson comprometidíssimo com o seu trabalho; afinal de contas era a sua obra que estava a ser criada!

 

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Todavia, “Malapata “não foi concebido inicialmente para ir para o cinema, dado que Morgado, investiu do seu próprio bolso em toda a produção e não obteve quaisquer apoios estatais. Finalizado o projeto, este foi apresentado a marcas privadas e foi a MEO a apostar no mesmo e a fazer com que “Malapata “visse a luz do dia nos ecrãs de cinema: um feito incrível para uma equipa de doze elementos, convenhamos!


Resta agora tirar aquela tal prova dos noves: será que o nome de Diogo Morgado enquanto realizador e a figurar num cartaz será o suficiente para atrair o público?


Temos Rui Unas. Luciana Abreu. Luís de Matos (um estreante nestas andanças). Marco Horácio, Diogo Morgado atrás de uma câmara e uma estória que humildemente retrata uma das nossas fantasias mais intimas: o que faríamos nós se nos saísse o Euro milhões?


Exuberância ou ponderância?


Juntem a estes dois adjetivos o pior dia das vossas vidas após terem sido bafejados pela sorte, enredados numa teia de situações insólitas e caricatas e tem aí o humor que arrancar-vos-á gargalhadas a valer.

 

 

Design de Flyers: Vanessa Paquete 2017 ©

Texto & Crítica: Vanessa Paquete 2017 ©

Fotos Principais: Todos os Direitos de Autor Pertencem aos Respetivos Fotógrafos ©